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Pesquisador da UFSCar encontra nova espécie de libélula

Ela possui cera azulada, que funciona como protetor solar

As libélulas são insetos facilmente encontrados em zonas pantanosas ou perto de riachos. Estima-se que há mais de 5 mil espécies em todo o mundo e cerca de 1,2 mil somente no Brasil. Os catálogos terão que incluir mais uma em sua lista. Um pesquisador da UFSCar encontrou uma nova espécie de libélula, que se diferencia das demais principalmente por apresentar no corpo uma cera, que funciona como protetor solar.

A história começou em 2011, quando Rhainer Guillermo Nascimento Ferreira, aluno de doutorado na época e, hoje, professor do Departamento de Hidrobiologia da UFSCar, integrou uma pesquisa na vereda – área de terreno alagado, típica de cerrado – localizada em uma reserva no Triângulo Mineiro, na cidade de Uberlândia. Junto com um aluno de graduação, Diogo Vilela, foi identificada uma espécie de libélula, até então desconhecida para ele. A partir daí, iniciou-se uma busca para confirmar se aquela espécie, do gênero Erythrodiplax (esse gênero abriga hoje 58 espécies), já teria sido descrita em algum lugar do mundo. Foram três anos de pesquisa até que, em 2014, foi confirmada a novidade. O nome escolhido da nova espécie foi Ana. “Nesse período, minha esposa estava grávida e eu quase perdi ela e minha filha.

Então escolhi o nome da minha esposa para dar nome à essa nova espécie de libélula”, conta Ferreira.

As principais diferenças da “Ana” para as outras Erythrodiplax, e que permitiram indicar uma nova espécie, foram a mancha marrom na ponta das asas e a cera azulada no corpo do macho. Já o corpo da fêmea, que não possui cera, apresenta coloração alaranjada. Isso explica o fato do macho ser encontrado principalmente em locais sem sombra, diferente das fêmeas, já que a cera funciona como protetor solar.

Ferreira explica que poucas pesquisas são feitas em veredas e que a descoberta deve incentivar novos estudos nesse tipo de ambiente. “Conhecemos muito pouco o que temos no país. E esse tipo de pesquisa, que é ciência base, é importante para descobrir elementos até então desconhecidos que a natureza nos oferece e buscar utilidade para eles”. Além das veredas no Triângulo Mineiro, a libélula “Ana” também foi encontrada na reserva do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso.

Aplicações

As propriedades físico-químicas da cera azulada do macho já estão sendo analisadas e poderão, em um futuro próximo, ter aplicações industriais. Pesquisas que vêm sendo desenvolvidas em parceria entre a UFSCar e a Universidade de Kiel, da Alemanha, indicam a possibilidade de uso do material em aparelhos ópticos (em razão da reflexão dos raios ultravioletas provocada pela cera), como protetor solar e em produtos que precisam ser impermeáveis.

Outra aplicação que vem sendo analisada é como indicador ambiental, principalmente o da qualidade da água. Por meio da análise da cera é possível avaliar, por exemplo, se há a presença de metais pesados ou contaminantes no ambiente.

A descrição da espécie nova foi publicada em um artigo na revista Zootaxa e depositada no museu da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e em laboratórios da Unesp e da UFSCar.

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Acisc

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